quarta-feira, 2 de junho de 2010

Soneto II

AMOR, quantos caminhos até chegar a um beijo,

que solidão errante até tua companhia!

Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.

Em Taltal não amanhece ainda a primavera.

Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,

juntos desde a roupa às raízes,

juntos de outono, de água, de quadris,

até ser só tu, só eu juntos.

Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,

a desembocadura da água de Boroa,

pensar que separados por trens e nações

tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos,

com todos confundidos, com homens e mulheres,

com a terra que implanta e educa os cravos.

(Pablo Neruda)

do livro: Cem Sonetos de Amor

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